Uma década após os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o legado deixado pelas estruturas construídas para o evento revela uma realidade de contrastes: enquanto alguns espaços enfrentam abandono e falta de manutenção, outros se transformaram em projetos considerados exemplos de reaproveitamento.
Um dos principais símbolos do lado negativo do legado é o Parque dos Atletas, na Barra da Tijuca. O local, que tinha 150 mil metros quadrados e foi utilizado como área de convivência durante os Jogos, atualmente apresenta sinais de abandono, com lixo, mato alto e presença de moradores em situação de rua.
Por outro lado, a poucos quilômetros dali, no Parque Olímpico, uma das antigas estruturas ganhou uma nova função. A Arena Carioca 3 foi transformada no Ginásio Educacional Olímpico Isabel Salgado, uma escola pública inaugurada em 2024 que atende cerca de 875 alunos em período integral, unindo ensino tradicional e atividades esportivas.
O espaço é considerado uma iniciativa pioneira, sendo apontado como a única instalação olímpica do mundo transformada em escola pública.
Outras estruturas também tiveram destinos diferentes. A Arena Carioca 1 segue recebendo eventos esportivos sob administração do Ministério do Esporte, enquanto a Arena Carioca 2 passa por reformas para receber uma unidade do Instituto Federal de Educação.
O Parque Aquático Maria Lenk também se tornou referência para o esporte brasileiro. O local abriga o Centro de Treinamento Time Brasil, administrado pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), além de centros voltados à ginástica e aos esportes aquáticos.
Algumas instalações foram desmontadas e reaproveitadas. A Arena do Futuro deu origem a quatro Ginásios Educacionais Tecnológicos, beneficiando aproximadamente 1,7 mil alunos da rede pública municipal. Já parte da estrutura do Estádio Aquático Olímpico foi transferida para outros locais.
Em Deodoro, na Zona Oeste do Rio, algumas instalações continuam funcionando, como o Estádio Olímpico de Canoagem Slalom e o Centro Olímpico de Ciclismo BMX, que seguem sendo utilizados por atletas.
Porém, outros espaços enfrentam dificuldades. A Arena da Juventude está fechada desde 2025, assim como o Centro Nacional de Hipismo, o Centro Olímpico de Tiro e o Centro Olímpico de Hóquei.
O Exército, responsável pelos locais, afirma que houve interrupção de repasses anuais de cerca de R$ 20,5 milhões destinados à manutenção dos equipamentos. O Governo Federal considera o valor elevado, gerando um impasse que já dura aproximadamente um ano e meio.
Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio 2016 tiveram investimento total estimado em R$ 43,75 bilhões, sendo R$ 21,52 bilhões provenientes de recursos públicos. Apenas o Parque Olímpico da Barra da Tijuca recebeu investimento de aproximadamente R$ 2,34 bilhões.
Após dez anos, o legado olímpico carioca apresenta histórias diferentes: de um lado, estruturas abandonadas e desafios de manutenção; do outro, espaços que encontraram novas funções e continuam beneficiando a população.
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