A disputa pela Presidência em 2026 não está sendo definida apenas pela divisão tradicional entre direita e esquerda. Pesquisas recentes mostram que existe outro fator importante no comportamento do eleitorado: a diferença de posicionamento entre homens e mulheres.
O fenômeno é conhecido como gender gap — expressão usada para descrever diferenças de comportamento político entre os gêneros. No Brasil, levantamentos recentes mostram que homens e mulheres apresentam perfis ideológicos distintos e também se comportam de maneira diferente quando o assunto é a corrida presidencial.
Mulheres estão mais à esquerda; homens, mais à direita
O Datafolha identificou uma diferença clara no perfil ideológico dos dois grupos.
Entre as mulheres, 44% estão no campo da esquerda ou centro-esquerda, enquanto 37% estão na direita ou centro-direita.
Entre os homens, ocorre o inverso: 50% estão na direita ou centro-direita, contra 33% na esquerda ou centro-esquerda.
A classificação do Datafolha não é baseada simplesmente na pergunta “você é de esquerda ou direita?”. O instituto utiliza uma matriz com 16 questões, divididas entre temas de comportamento e economia, para posicionar os entrevistados em cinco grupos ideológicos.
No conjunto da população, 44% dos brasileiros estão no campo da direita e centro-direita, enquanto 39% estão na esquerda e centro-esquerda. É a primeira vez desde 2014 que a direita aparece à frente nesse indicador.
A diferença aparece também na corrida presidencial
O levantamento mais recente da BTG/Nexus, divulgado nesta segunda-feira (10), mostra que a eleição está mais apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro.
No primeiro turno, Lula aparece com 40% das intenções de voto, contra 35% de Flávio Bolsonaro. Ronaldo Caiado tem 5%, Renan Santos, 4%, e Romeu Zema, 3%.
No segundo turno, a distância diminui ainda mais: Lula aparece com 47%, contra 44% de Flávio Bolsonaro. O cenário está dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos percentuais.
O levantamento ouviu 2.001 eleitores entre 7 e 9 de agosto e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral.
Por que o gênero importa?
Os dados não significam que todas as mulheres votam à esquerda ou que todos os homens preferem candidatos de direita. O que as pesquisas mostram é uma diferença estatística de comportamento entre os grupos.
Segundo a análise do Datafolha, a distância aparece principalmente em questões relacionadas a comportamento e economia. Entre as mulheres, a esquerda e centro-esquerda têm maior presença. Entre os homens, a direita e centro-direita são mais fortes.
Essa diferença pode ter relação com a maneira como os dois grupos enxergam temas como segurança, economia, políticas sociais e questões comportamentais.
Por isso, o chamado gender gap pode representar um desafio adicional para as campanhas: conquistar um eleitorado feminino que apresenta perfil diferente do masculino.
Mulheres são maioria entre os eleitores
O peso das mulheres nas eleições é significativo. Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que elas representam 52,8% do eleitorado apto a votar em 2026.
Apesar disso, a representação feminina nos espaços de poder continua muito menor.
Na Câmara dos Deputados, as mulheres ocupam aproximadamente 18% das cadeiras.
Na prática, isso significa que as mulheres são maioria entre quem escolhe os representantes, mas continuam sendo minoria entre os próprios representantes eleitos.
O que isso significa para Lula e Flávio?
A diferença de comportamento entre homens e mulheres pode ter impacto direto na estratégia dos candidatos.
Lula precisa preservar sua força entre mulheres e, ao mesmo tempo, buscar reduzir a resistência entre os homens. Já Flávio Bolsonaro tem o desafio de ampliar seu desempenho entre o eleitorado feminino sem perder a vantagem que apresenta entre os homens.
Mas é importante evitar uma conclusão simplista: o gênero não determina o voto de ninguém. Ele é apenas uma das variáveis observadas nas pesquisas.
A eleição de 2026 ainda está aberta e os números podem mudar ao longo da campanha. O que os levantamentos mostram, por enquanto, é que homens e mulheres estão apresentando diferenças relevantes na forma como se posicionam politicamente — e isso pode se tornar uma peça importante na disputa presidencial.



