Novos mergulhos no naufrágio do Pallas podem ajudar a definir como será feita a retirada da embarcação do canal de acesso ao complexo portuário de Itajaí e Navegantes
Mais de um século depois de afundar, o Pallas, conhecido popularmente como o “Titanic de Santa Catarina”, volta a ser alvo de uma operação de investigação no Litoral Norte catarinense.
O navio, que está submerso desde 1893, encontra-se na região do canal de acesso ao complexo portuário de Itajaí e Navegantes. Agora, novos estudos subaquáticos devem ajudar a definir os próximos passos para uma possível retirada dos destroços.
A pesquisa está sendo realizada pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali), que foi contratada para analisar as condições atuais da embarcação e avaliar a melhor estratégia para a remoção.
Mergulhos devem revelar situação dos destroços
As equipes responsáveis pelo estudo realizam inspeções diretamente no local do naufrágio. O objetivo é entender como estão as estruturas que permanecem no fundo do canal e reunir informações técnicas para determinar a maneira mais segura de realizar uma eventual retirada.
O levantamento também deverá contribuir para definir os procedimentos necessários durante a operação, incluindo o destino dos materiais que forem retirados.
O estudo contratado tem valor de R$ 310 mil e prazo previsto de 60 dias.
Retirada pode custar milhões
A remoção completa do Pallas é estimada em aproximadamente R$ 23 milhões, segundo informações divulgadas pela Univali.
A retirada dos destroços está relacionada aos projetos de ampliação e aprofundamento do canal de acesso ao complexo portuário. Com a remoção, a expectativa é permitir melhores condições para a operação de navios de maior porte.
A previsão apresentada é que a retirada aconteça nos próximos dois anos, após a conclusão dos estudos e definição da metodologia adequada.
Naufrágio aconteceu em 1893
A história do Pallas começou no século XIX. Construído na Inglaterra em 1891, o navio realizava transporte de cargas e passageiros entre o Rio de Janeiro e Buenos Aires, com passagem pelo Litoral Norte de Santa Catarina.
Em outubro de 1893, durante a Revolta da Armada, a embarcação acabou naufragando na região da entrada do rio Itajaí-Açu.
Mais de 120 anos depois, os destroços voltaram a ganhar atenção durante trabalhos de dragagem realizados em 2017. Levantamentos posteriores indicaram que a estrutura da embarcação acabou se partindo e permanece espalhada no fundo do canal.
Agora, os novos mergulhos podem ser fundamentais para responder uma pergunta que atravessa gerações: como retirar com segurança do fundo do mar uma embarcação que está submersa há 133 anos?



