MAIS DE 70 CRIANÇAS PODEM SER AFETADAS: JOINVILLE NEWS ACOMPANHA CASO ENVOLVENDO NÚCLEO PEDIASUIT DA APAE

Atendimento realizado há cerca de 14 anos gera preocupação entre famílias após mudanças nas regras; mães temem que eventual interrupção prejudique a evolução das crianças

O Joinville News recebeu uma sugestão de pauta envolvendo o núcleo de PediaSuit da APAE de Joinville, serviço que funciona há cerca de 14 anos e atende atualmente mais de 70 crianças, além de pacientes que aguardam na fila de espera.

A possibilidade de mudanças ou interrupção dos atendimentos gerou preocupação entre as famílias. Diante da situação, mães e lideranças chegaram a organizar uma manifestação em frente à Prefeitura de Joinville.

Antes da realização do protesto, porém, a equipe do Joinville News passou a acompanhar o caso, buscou esclarecimentos junto às partes envolvidas e iniciou uma tentativa de intermediar o diálogo para buscar uma solução.

A reportagem esteve presencialmente na APAE e conversou com a presidente da instituição, Neide, para entender as mudanças e a situação do atendimento.

Segundo as informações repassadas pela APAE, as regras relacionadas ao atendimento pelo PediaSuit foram alteradas em razão de um novo edital. Atualmente, existem cinco clínicas conveniadas para a prestação desse tipo de serviço.

Ainda conforme as informações obtidas pela reportagem, a APAE não teria concluído o cadastramento necessário para participar desse edital específico. A instituição teria sido orientada desde 2025 sobre a necessidade do cadastramento, mas o processo não teria sido finalizado em razão da pendência de documentação.

O QUE DIZ A PREFEITURA DE JOINVILLE

Procurada oficialmente pelo Joinville News, a Prefeitura de Joinville informou que o método de reabilitação PediaSuit não integra a tabela nacional de procedimentos padronizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o Município, por essa razão, os atendimentos pelo método são realizados apenas em casos judicializados.

A Prefeitura também informou que o termo de colaboração anteriormente firmado com a APAE teve seu término contratual em outubro de 2025.

Entretanto, existe desde 2024 o Edital nº 332/2024, que permite o credenciamento de entidades interessadas em prestar serviços de equoterapia, método ABA, PediaSuit e fisioterapia pelo método Bobath.

De acordo com o Município, o edital permanece aberto para entidades que cumpram os requisitos necessários para a prestação dos serviços.

APAE POSSUI OUTRO CREDENCIAMENTO

A Prefeitura informou ainda que a APAE está credenciada desde 12 de agosto como prestadora de serviços de saúde especializados em reabilitação do desenvolvimento neuropsicomotor, por meio do Edital nº 100/2025.

O edital prevê, entre outros procedimentos, acompanhamento de pacientes em reabilitação do desenvolvimento neuropsicomotor, além de terapias e consultas, com exceção de consultas médicas.

Esse credenciamento, entretanto, não significa necessariamente que o atendimento específico pelo método PediaSuit esteja automaticamente garantido para todas as crianças atualmente atendidas pelo núcleo.

A continuidade do serviço depende das regras e condições previstas nos respectivos editais e, nos casos apontados pela Prefeitura, de eventual judicialização.

FAMÍLIAS TEMEM PERDA DOS AVANÇOS

Para as famílias, a preocupação vai além da continuidade de um serviço de atendimento.

As mães relatam temor de que uma eventual interrupção do tratamento prejudique a evolução das crianças e comprometa avanços conquistados ao longo dos anos.

Outro ponto que preocupa os familiares é a necessidade de recorrer à Justiça para garantir determinados atendimentos. Segundo as famílias, uma eventual ação judicial pode gerar um período de espera e insegurança.

Na quinta-feira (27), mães e lideranças participaram de uma reunião com a prefeita de Joinville para apresentar a situação. Conforme as informações repassadas à reportagem, a Prefeitura já está ciente das preocupações apresentadas pelas famílias.

TRANSPARÊNCIA TAMBÉM FOI QUESTIONADA

Durante a apuração, o Joinville News também consultou o Portal da Transparência da APAE e identificou que, no momento da consulta realizada pela reportagem, a atualização mais recente disponível era referente ao ano de 2022.

A redação solicitou esclarecimentos à instituição sobre a ausência de atualizações e aguarda um posicionamento.

JOINVILLE NEWS VAI CONTINUAR ACOMPANHANDO

A manifestação que estava sendo organizada em frente à Prefeitura foi, neste momento, colocada em segundo plano diante da tentativa de diálogo entre famílias, instituição e poder público.

O Joinville News continuará acompanhando o caso e ouvindo as famílias, a APAE e a Prefeitura de Joinville, buscando esclarecer quais serão os próximos passos e se haverá uma solução para garantir a continuidade dos atendimentos.

São mais de 70 crianças diretamente envolvidas em uma situação que gera preocupação entre as famílias. O objetivo agora é buscar esclarecimentos e uma solução que dê segurança aos pacientes e responsáveis.

O Joinville News seguirá acompanhando cada capítulo dessa situação e informará a comunidade de Joinville assim que houver novas informações oficiais.

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