MULHER DIZ TER SIDO AMEAÇADA POR MÉDIUM APÓS QUESTIONAR AUTENTICIDADE DE CARTAS PSICOGRAFADAS

Famílias que passaram a questionar a autenticidade de cartas psicografadas atribuídas a parentes mortos afirmam ter sofrido ameaças após relatarem supostas irregularidades envolvendo a médium Mayra Rocha, em Brasília.

Segundo os relatos apresentados pela reportagem, o medo de possíveis retaliações teria feito com que algumas pessoas desistissem de procurar as autoridades.

Uma das pessoas ouvidas, Marcela Magalhães, comerciante, afirma ter sido ameaçada depois de questionar o conteúdo de cartas atribuídas ao filho Henrique, que morreu aos 18 anos.

Segundo Marcela, a médium teria afirmado que faria uma transmissão ao vivo para revelar informações pessoais que haviam sido compartilhadas durante uma conversa particular.

“Ela falou comigo, se eu continuasse, que ia fazer uma live, onde ela ia contar determinadas coisas que eu tinha contado para ela”, relatou Marcela.

QUESTIONAMENTOS SOBRE AS CARTAS

Marcela conta que procurou ajuda após a morte do filho e recebeu dois recados atribuídos a Henrique durante uma transmissão ao vivo.

Durante a live, Mayra teria afirmado que estava com Henrique e o descrito como um jogador de futebol que havia morrido jovem.

A informação chamou a atenção da família, já que Henrique nunca havia sido jogador de futebol profissional.

O marido de Marcela teria percebido o erro durante a transmissão. Posteriormente, a família identificou que uma fotografia de Henrique usando um uniforme esportivo havia sido associada a uma reportagem sobre o acidente que provocou sua morte. A publicação teria descrito incorretamente o jovem como jogador de futebol.

Outro trecho da transmissão também gerou desconfiança ao relacionar Henrique a outras duas pessoas que apareciam na mesma imagem.

Marcela explicou que a fotografia, na verdade, era uma montagem feita durante uma campanha de arrecadação de alimentos na pandemia. As imagens reuniam três jovens que morreram em momentos e circunstâncias diferentes.

Segundo ela, Henrique morreu em um acidente em fevereiro de 2020, João morreu após um AVC em abril daquele ano e Letícia morreu após um mal súbito, em 2005.

DENÚNCIAS EM DIFERENTES ESTADOS

De acordo com a reportagem, existem registros policiais envolvendo Mayra Rocha em pelo menos cinco estados. As acusações mencionadas incluem estelionato, calúnia, difamação e ameaça.

Também foram apresentadas ao Ministério Público denúncias relacionadas a suposta apropriação indébita, desvio de recursos e uma possível rede de influência envolvendo servidores públicos.

As famílias afirmam que outras pessoas teriam deixado de procurar as autoridades por receio de sofrer possíveis retaliações.

A reportagem procurou Mayra Rocha diversas vezes para que ela pudesse responder às acusações relacionadas às cartas psicografadas, mas, segundo o material, ela não aceitou gravar entrevista.

As acusações apresentadas pelas famílias são objeto de denúncias e investigações e, até o momento, não representam uma condenação judicial.

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