As famílias brasileiras estão mais endividadas do que nunca

Em julho, a parcela de famílias endividadas chegou a 82%. Esse é o maior número de toda a série histórica, que começou em 2010. Comparando com julho do ano passado, o aumento foi de 3,5 pontos percentuais. E o mais chocante, esse foi o sexto recorde batido em apenas 12 meses.

Quando a gente fala em dívida, os tipos mais comuns continuam sendo os de sempre. Cartão de crédito lidera a lista, seguido de financiamentos, empréstimos pessoais, cheque especial e carnês de loja. Praticamente todo mundo tem uma dessas rodando na carteira ou no extrato bancário.

O tamanho do aperto no orçamento

Além do número de famílias endividadas, outro dado chamou atenção dos pesquisadores. A fatia da renda mensal comprometida com dívidas também subiu mês a mês, e agora está em 29,5%. Ou seja, quase um terço do salário das casas brasileiras vai embora só para pagar o que já foi gasto.

E tem um recorte que preocupa ainda mais. Cerca de 1 em cada 5 famílias brasileiras compromete mais da metade da renda com dívidas. Esse é o grupo que os especialistas classificam como em situação mais delicada, porque sobra pouco espaço para lidar com qualquer imprevisto.

A única boa notícia da matéria

Por outro lado, teve uma leve melhora em um dos indicadores. A proporção de lares inadimplentes, ou seja, com dívidas em atraso, caiu de 30% em julho de 2025 para 29,8% neste ano.

Os pesquisadores atribuem essa queda ao Desenrola 2.0, programa do governo federal voltado para renegociação de dívidas. Mesmo sendo uma melhora pequena, ela mostra que iniciativas desse tipo têm algum efeito no bolso das famílias.

Quem sente mais o peso da dívida

Só que essa melhora não chegou para todo mundo do mesmo jeito. O levantamento mostra que o endividamento aparece de formas bem diferentes dependendo da faixa de renda.

As famílias que recebem até três salários mínimos foram as únicas que registraram crescimento da inadimplência no período. Enquanto o restante do país teve uma leve queda nesse indicador, esse grupo específico piorou.

Além disso, o percentual de endividados nessa faixa chegou a 84,9% em julho, o maior nível entre todos os grupos analisados. Para os pesquisadores, a explicação está numa combinação perigosa, renda instável somada à facilidade de acesso a crédito. Essa mistura aumenta bastante o risco de problemas financeiros para quem já vive no limite do orçamento.

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