A candidata a suplente ao Senado pelo PT, Fernanda Klitzke, se manifestou neste domingo (13) após ser presa durante uma abordagem da Polícia Militar na noite de sábado (12), em Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina.
Imagens da ocorrência mostram Fernanda sendo derrubada ao chão durante a abordagem e atingida por chutes e disparos de bala de borracha. A advogada afirma que ficou com hematomas e também relata impactos psicológicos após o episódio.
A Polícia Militar de Santa Catarina apresentou outra versão sobre a ocorrência. Segundo a PMSC, Fernanda e outras duas pessoas foram presas por ameaças, desacato e resistência durante a abordagem.
A ocorrência começou após uma moradora acionar a polícia por causa de um carro que estaria com som em volume elevado em frente à residência. Segundo o relato apresentado pela PM, a mulher afirmou que o barulho teria deixado seu filho de cinco anos, que possui Transtorno do Espectro Autista (TEA), agitado.
A moradora também relatou aos policiais que teria sido ameaçada por um dos envolvidos e, posteriormente, voltou a ligar pedindo reforço.
FERNANDA DIZ QUE TENTOU ACALMAR A SITUAÇÃO
Fernanda contou que havia participado anteriormente de um evento com mulheres em Palhoça e depois seguiu para uma comemoração de aniversários ligados ao Partido dos Trabalhadores, em Jaraguá do Sul.
Segundo ela, a confusão começou após a chegada de um convidado com o som do carro em volume elevado. Fernanda afirmou que foi até a área externa para tentar acalmar a situação.
Ela relatou ter visto uma policial militar contendo uma mulher e afirmou que tentou pedir que a agente a soltasse.
“Eu fui lá para fora para tentar amenizar. Nesse momento já tinha uma viatura e, quando eu vi, a policial estava dando um mata-leão em uma das mulheres que tinham saído para socorrer o rapaz”, relatou.
Segundo Fernanda, na sequência ela também teria sido derrubada.
“Ela soltou a outra pessoa, uma mulher de 53 anos, e daí me pegou. A partir dali, me derrubou no chão e bati com as costas. Ainda estou com algumas dores que a gente não identificou exatamente”, afirmou.
A candidata nega ter ameaçado ou agredido os policiais.
“Absolutamente não. Os vídeos estão circulando e são bastante claros em relação a isso”, declarou.
Fernanda também contestou o relato da moradora que acionou a PM, afirmando que ela não estaria presente no local no momento da ocorrência.
“Essa pessoa que chamou a polícia não esteve presente no lugar do incidente. Eu posso assegurar que essa pessoa não estava na rua. Nem ela, nem eu fomos à frente do portão da casa dela”, disse.
A candidata afirmou ainda que o depoimento da moradora teria sido registrado posteriormente, durante uma troca de plantão.
“Essa insistência em construir algo, em construir uma fala, não justifica a violência policial. Nem um som alto, nem uma festividade, nem as condições partidárias justificam a violência”, afirmou.
POLÍCIA MILITAR APRESENTA OUTRA VERSÃO
Segundo a PMSC, a moradora acionou a polícia por volta das 20h relatando que havia um veículo estacionado em frente à residência com um aparelho de som em volume elevado.
Na ligação, segundo a PM, a mulher relatou que um homem teria feito ameaças depois que ela pediu para que o volume fosse reduzido.
Posteriormente, a moradora voltou a ligar para solicitar reforço e afirmou que pessoas estariam se revoltando contra os policiais.
Conforme a Polícia Militar, quando a equipe chegou ao local, um homem de 45 anos não teria cooperado com a abordagem, resistido às determinações e proferido ofensas contra os agentes.
Ele recebeu voz de prisão por desacato.
Ainda segundo a PMSC, Fernanda e outra mulher interferiram na ocorrência e também receberam voz de prisão após, conforme a versão policial, resistirem às determinações e intervirem fisicamente na condução de uma das pessoas envolvidas.
A corporação afirmou que houve resistência física e aproximação das envolvidas em direção aos policiais. Diante da situação, foram utilizados meios de menor potencial ofensivo e técnicas de contenção.
Durante a ocorrência, uma policial militar sofreu uma lesão e precisou receber atendimento médico.
Todos os envolvidos foram encaminhados para a delegacia para os procedimentos cabíveis.
CASO SERÁ INVESTIGADO PELA CORREGEDORIA
A Polícia Militar informou que, devido à complexidade da ocorrência e ao emprego da força, os fatos serão integralmente apurados pela Corregedoria-Geral da Polícia Militar de Santa Catarina.
A investigação deverá analisar as circunstâncias da abordagem e a atuação dos policiais envolvidos.
Fernanda afirmou que também pretende adotar medidas jurídicas. Segundo ela, o jurídico da coligação já foi acionado e entidades como a OAB e o Centro de Direitos Humanos se manifestaram sobre o episódio.
OAB E TRE-SC ACOMPANHAM O CASO
A Subseção da OAB de Jaraguá do Sul informou que acompanha a ocorrência envolvendo Fernanda Klitzke e que presta apoio institucional à advogada.
A entidade também destacou a necessidade de evitar conclusões precipitadas antes da apuração completa dos fatos, ressaltando a importância da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal.
O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) também informou que acompanha os desdobramentos do caso e reafirmou seu compromisso com um processo eleitoral seguro, pacífico e inclusivo.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, classificou o episódio como “gravíssimo” e pediu uma apuração rigorosa, célere e transparente, inclusive para esclarecer se houve eventual motivação ou tratamento de natureza política.
O candidato ao governo de Santa Catarina pela mesma coligação de Fernanda, Gelson Merisio, procurou o presidente do TRE-SC para solicitar providências e uma apuração urgente.
Décio Lima também se manifestou sobre o caso e criticou o que classificou como violência contra Fernanda.
O episódio deverá ser esclarecido a partir da análise das imagens, depoimentos e demais elementos da ocorrência. Até o momento, há versões divergentes entre a candidata e a Polícia Militar sobre a dinâmica da abordagem e a necessidade do uso da força.
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