Emanuel Roque, hoje com 18 anos, está reconstruindo a vida no Rio Grande do Sul depois de ter sido expulso de casa aos 17 anos, em Jaguaruna, no Sul de Santa Catarina, após assumir um relacionamento homoafetivo.
Em setembro, a Justiça de Santa Catarina condenou os pais do jovem ao pagamento de R$ 100 mil por danos morais, violência e abandono afetivo. A decisão ocorreu após uma ação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que apontou sucessivas violações de direitos contra o adolescente.
Além de deixar a casa onde vivia com a família, Emanuel relatou ter sofrido ameaças e teve aspectos de sua vida privada expostos nas redes sociais pelos próprios pais.
Atualmente, o jovem mora com o namorado e trabalha como operador de caixa em um supermercado no Rio Grande do Sul. Segundo ele, apesar das dificuldades financeiras e da rotina de trabalho, a nova fase trouxe autonomia.
“Por menos que eu não tenha a vida financeira boa que eu tinha quando eu estava em casa, eu estou conseguindo conquistar minhas coisas com o meu dinheiro e com o meu suor”, relatou ao g1.
Emanuel também afirma estar mais feliz com a nova realidade.
“Hoje eu sou muito mais feliz morando com meu namorado, me sentindo realmente amado, podendo ser quem eu sou”, declarou.
CRISE FAMILIAR COMEÇOU AOS 17 ANOS
A situação familiar se agravou quando Emanuel tinha 17 anos e trabalhava em um mercado em Jaguaruna, onde conheceu o namorado.
Segundo os relatos apresentados no processo, após os pais descobrirem o relacionamento, a mãe teria reagido com gritos e ofensas. O pai, ainda conforme o caso, teria feito ameaças utilizando um alicate e uma arma de fogo.
Os pais também teriam proibido o adolescente de frequentar a escola e determinado que ele deixasse o emprego.
Diante da situação, o Conselho Tutelar foi acionado e encaminhou Emanuel para um abrigo de proteção em agosto de 2025.
No acolhimento institucional, o jovem recebeu apoio psicológico e orientações jurídicas. A partir desse acompanhamento, o caso chegou ao Ministério Público de Santa Catarina.
“Naquela época tudo foi tão conturbado, mas foi um pouco feliz também quando conheci meu namorado e o pessoal do abrigo. Pela primeira vez, vi pessoas que realmente me deram apoio e conversaram comigo sobre o que eu poderia fazer”, contou.
Emanuel afirma que pretende manter contato com a equipe que o acolheu.
“São pessoas que quero levar para o resto da vida.”
DECISÃO JUDICIAL
Para fundamentar a ação, o MPSC apresentou provas que incluíam publicações em redes sociais, depoimentos e relatos de testemunhas.
Além da condenação ao pagamento de R$ 100 mil, a decisão determinou que o pai de Emanuel não publique conteúdos relacionados à vida privada do filho.
Os pais negam as acusações e podem recorrer. Conforme informado pelo g1, a reportagem tentou contato com os pais e com a defesa, mas não obteve retorno até a última atualização.
Emanuel também contou que ficou surpreso com o valor estabelecido pela Justiça.
“Eu não sabia que ia ser tanto dinheiro. Quando saí de lá, acabei me desligando, não tenho muito conhecimento desse negócio jurídico e ainda estou um pouco em choque”, afirmou.
Segundo o jovem, os pais não o procuraram após a divulgação da sentença.
Atualmente, Emanuel concentra os esforços na construção da nova vida ao lado do companheiro. Por causa da rotina de trabalho, dos deslocamentos de ônibus e das dificuldades financeiras, ele precisou interromper os estudos e planeja concluir o ensino médio em 2027.
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