JUSTIÇA RECONHECE UNIÃO ESTÁVEL DE 45 ANOS ENTRE COMPANHEIROS APÓS CUIDADORA TENTAR SE PASSAR POR “ESPOSA” EM SC

Uma disputa judicial pela pensão deixada por um capitão da Marinha Mercante terminou com o reconhecimento de uma união estável homoafetiva que teria durado cerca de 45 anos, em São Francisco do Sul, no Litoral Norte de Santa Catarina.

A Justiça rejeitou o pedido de uma cuidadora de idosos que alegava ter mantido um relacionamento com o homem desde 2013. Ela também foi condenada por litigância de má-fé.

O processo foi analisado pela 1ª Vara Cível da Comarca de São Francisco do Sul após a morte do capitão, em dezembro de 2024. O companheiro havia solicitado a pensão por morte ao INSS, quando a cuidadora passou a contestar a relação.

Segundo ela, os dois teriam vivido uma união pública, contínua e duradoura. Entre as provas apresentadas estavam fotografias, declarações e uma procuração pública registrada em 2019.

O companheiro, porém, afirmou que conheceu o capitão ainda na adolescência e que os dois mantiveram uma relação por aproximadamente 45 anos. Testemunhas relataram que eles compartilhavam residência, quarto, despesas, conta conjunta, bens e animais de estimação.

Um dos principais elementos considerados pelo juiz foi uma declaração de união estável registrada em cartório em dezembro de 2014. No documento, o casal declarou manter uma relação pública e duradoura, com intenção de constituir uma vida familiar em comum.

A Justiça considerou ainda outros documentos e depoimentos apresentados durante o processo e reconheceu a união estável homoafetiva, mantendo os efeitos decorrentes da relação, incluindo a pensão por morte.

A cuidadora foi condenada por litigância de má-fé. O processo tramita em segredo de Justiça.

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