Aos 10 anos, Miguel Bonilha, morador de Blumenau, no Vale do Itajaí, conquistou milhares de pessoas nas redes sociais ao compartilhar a paixão pelos livros e mostrar as obras que lê ao longo do ano. O menino já ultrapassou 4 milhões de visualizações, soma 78,1 mil seguidores e acumula mais de 1,8 milhão de curtidas.
Antes de se tornar conhecido na internet, a relação de Miguel com a leitura passou por diferentes fases. Desde pequeno, ele teve contato com livros por incentivo da família, mas, em determinado período, os dispositivos eletrônicos passaram a ocupar grande parte da rotina.
Segundo a mãe, Monique Gabriele Carneiro do Nascimento, de 29 anos, Miguel sempre foi estimulado a participar de atividades e ouvir histórias. “O Miguel, desde muito pequeno, ele sempre foi muito estimulado às atividades. Eu sempre li para ele”, contou.
Período de maior contato com as telas
A rotina mudou quando Monique precisou conciliar sozinha a maternidade e o trabalho. Com menos tempo disponível para os momentos de leitura, Miguel passou a ter contato frequente com tablet, televisão, computador, jogos e filmes.
A mãe percebeu que o menino estava cada vez mais concentrado nos aparelhos eletrônicos e apresentava dificuldades de concentração em situações do cotidiano.
“Ele não conseguia se concentrar, ele não conseguia raciocinar em alguns momentos, perguntas simples. E aquilo me acendeu uma luzinha”, relatou.
A situação fez com que a família decidisse mudar os hábitos e reduzir gradualmente o tempo de Miguel diante das telas.
Livros voltaram a fazer parte da rotina
No início, a mudança não foi fácil. Miguel não demonstrava interesse pelos livros e preferia continuar utilizando os aparelhos eletrônicos.
“No início de tudo, eu comecei a ler para o Miguel. Ele não gostava. Ele não tinha paciência, ele chorava muito, ele fazia algumas birras, porque ele queria ficar no tablet, ele queria ficar na TV”, lembrou Monique.
Para despertar o interesse do filho, a mãe passou a interpretar as histórias e ler com entusiasmo, buscando fazer com que Miguel imaginasse as cenas como se estivesse assistindo a um filme.
“A minha estratégia foi sempre ler com muito entusiasmo para ele. Realmente fazer ele imaginar que ele estava vendo um filme”, explicou.
Aos poucos, a estratégia deu resultado. Miguel começou a se interessar pelas histórias e, posteriormente, passou a ler sozinho.
Monique conta que um dos momentos mais marcantes foi perceber o filho lendo espontaneamente, sem pedir pelos aparelhos eletrônicos.
“Eu olhava para o Miguelzinho na cama, enfim, no sofá, e ele estava ali com o livrinho aberto, lendo, e não estava pedindo tela naquele momento. E eu ficava tipo ‘uau’”, contou.
O padrasto, Alan Vitor Maia do Nascimento, de 21 anos, também passou a participar dos momentos de leitura em família.
Paixão pelos livros chegou às redes sociais
Com o hábito de leitura consolidado, Monique decidiu criar um perfil no TikTok para que Miguel pudesse compartilhar com outras pessoas os livros que terminava.
No começo, o menino ficou envergonhado e não queria aparecer nos vídeos. A primeira publicação teve pouca repercussão.
A mudança aconteceu após a família publicar um vídeo em que Miguel contava que já havia lido 17 livros em 2026.
O conteúdo ganhou alcance e impulsionou o perfil. Em apenas duas semanas, Miguel já havia alcançado 60 mil seguidores.
Desde então, o número continuou crescendo até ultrapassar 4 milhões de visualizações e chegar a 78,1 mil seguidores.
Segundo Monique, cerca de 95% dos comentários recebidos pelo menino são positivos e demonstram carinho do público.
Incentivo à leitura ultrapassa as redes sociais
O conteúdo produzido por Miguel também passou a influenciar pessoas de diferentes idades. De acordo com a mãe, adolescentes e adultos relatam que voltaram a ler depois de acompanhar os vídeos do menino.
O incentivo também chegou aos amigos de Miguel. Um deles, que não tinha o mesmo ritmo de leitura, passou a ler mais para conseguir terminar os livros e conversar com o amigo sobre as histórias.
Para Monique, incentivar outras crianças a descobrir o prazer da leitura é um dos principais resultados de toda essa trajetória.
“Com certeza, a gente espera que a história dele incentive outras crianças”, afirmou.
O que começou dentro de casa, com uma mudança na rotina familiar, acabou alcançando milhares de pessoas. Aos 10 anos, Miguel transformou o hábito de ler em conteúdo para as redes sociais e passou a incentivar crianças, adolescentes e adultos a redescobrirem o prazer dos livros.
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