Mensagens da PF mostram Hugo Motta tratando com Vorcaro sobre sociedade em terreno de R$ 45 milhões

Conversas envolvem área de mais de 400 hectares em João Pessoa e empresa da cunhada do presidente da Câmara

Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, mostram conversas com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre a negociação de um terreno em João Pessoa, na Paraíba.

Os diálogos, de março de 2024, tratam da compra de uma área de mais de 400 hectares, onde funcionava uma antiga fábrica de cimento. Em uma das mensagens, Motta menciona um “formato de sociedade” que, segundo ele, já havia sido combinado para a operação.

A negociação envolveu uma empresa que havia passado para o nome da cunhada de Motta, Bianca Medeiros. Segundo informações já divulgadas, ela recebeu um empréstimo de pelo menos R$ 22 milhões do Banco Master para a aquisição do terreno.

O imóvel foi comprado por R$ 45 milhões, enquanto o valor fiscal registrado nas matrículas chegava a aproximadamente R$ 101 milhões. A diferença entre esses valores, por si só, não indica irregularidade.

O que mostram as mensagens

Em uma conversa de 9 de março de 2024, Motta informou a Vorcaro que estava reunido com pessoas envolvidas na negociação e pediu orientação sobre como proceder em relação ao formato societário da operação.

Vorcaro respondeu que faria uma operação rápida para viabilizar a negociação e que, paralelamente, organizaria a questão da sociedade. No dia seguinte, Motta agradeceu pela ajuda e afirmou que o contrato havia sido cumprido dentro do prazo.

As mensagens também registram uma relação pessoal próxima entre os dois, que se tratavam como “amigo” e “irmão”.

Motta nega irregularidades

Em manifestação divulgada por sua assessoria, Hugo Motta afirmou que, como parlamentar, mantém diálogo com diferentes setores empresariais e da sociedade.

O presidente da Câmara negou qualquer irregularidade e afirmou que os diálogos não demonstram ilícito ou favorecimento.

As mensagens fazem parte do material apreendido pela Polícia Federal nas investigações relacionadas ao Banco Master. A existência das conversas, isoladamente, não comprova a ocorrência de crime ou favorecimento ilegal. O conteúdo ainda deve ser analisado em conjunto com os demais elementos da investigação.

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