Justiça também determinou bloqueio de mais de R$ 32 milhões, sequestro de veículos de luxo e fechamento de estabelecimentos e laboratórios
A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou a Operação Narciso, uma ação contra uma rede suspeita de atuar na fabricação clandestina, falsificação, adulteração e comercialização de anabolizantes, substâncias controladas e termogênicos.
Ao todo, foram expedidos 43 mandados de prisão e 64 de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 32 milhões em bens e valores dos investigados, além do sequestro de veículos de luxo, fechamento de 13 estabelecimentos e laboratórios e retirada de 22 perfis utilizados para divulgação e venda dos produtos nas redes sociais.
Segundo a investigação, os envolvidos podem responder por crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsificação, adulteração ou alteração de produtos destinados a fins terapêuticos ou medicinais.
TRÊS LÍDERES FORAM PRESOS NO PARAGUAI
A operação teve ações em diferentes regiões do Brasil e também no Paraguai.
De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal, três dos principais líderes investigados foram localizados e presos em Ciudad del Este, no Paraguai. Os três são brasileiros e estavam foragidos.
A ação internacional contou com a participação da Polícia Civil do Distrito Federal, Polícia Federal em Foz do Iguaçu e Polícia Nacional do Paraguai.
No Distrito Federal, a investigação identificou estruturas utilizadas para fabricação e armazenamento dos produtos, além de academias relacionadas à divulgação das substâncias e uma gráfica utilizada na produção das embalagens.
Também foram encontrados pontos de apoio em Goiás, Paraíba, Paraná, Acre e Minas Gerais.
PRODUTOS ERAM FABRICADOS EM LABORATÓRIOS CLANDESTINOS
A investigação avançou depois que policiais apreenderam o celular de um dos suspeitos durante uma operação de busca. As mensagens encontradas no aparelho ajudaram os investigadores a identificar a estrutura da organização e diferentes núcleos envolvidos.
Segundo o delegado Rodrigo Carbone, da Divisão de Defesa do Consumidor, a investigação identificou quatro grupos que compartilhavam estruturas e estariam envolvidos em laboratórios clandestinos.
Ainda conforme a polícia, insumos seriam importados clandestinamente do Paraguai e utilizados na produção dos produtos em instalações consideradas precárias.
Para tentar convencer os consumidores de que os produtos eram legítimos, as embalagens recebiam nomes em idiomas estrangeiros, bandeiras de outros países e identidades visuais semelhantes às de produtos importados ou de laboratórios conhecidos.
A investigação também aponta a participação de profissionais de diferentes áreas, incluindo nutricionistas, treinadores, designers e veterinários, em atividades como divulgação, recomendação, produção de materiais e obtenção de receitas.
DINHEIRO ERA MOVIMENTADO POR TERCEIROS
Segundo a Polícia Civil, a organização também teria criado uma estrutura financeira para dificultar o rastreamento dos valores obtidos com as vendas.
Doleiros fariam transferências entre integrantes do grupo e uma das principais fornecedoras, localizada na região de Foz do Iguaçu, utilizando contas de terceiros e empresas de fachada.
A polícia também identificou pagamentos direcionados para contas de parentes dos investigados e diferentes chaves Pix.
Além disso, a investigação apontou o uso de contas vinculadas a casas de apostas virtuais e plataformas de jogos de quota fixa para movimentar e converter recursos.
As investigações continuam para identificar todos os envolvidos e dimensionar a estrutura financeira e operacional da organização.
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