Ouvir um trovão já deve ser considerado um sinal para procurar abrigo durante uma tempestade. O alerta é do meteorologista Piter Scheuer, que explica que não é necessário esperar a chuva começar ou visualizar um raio para que exista risco de uma descarga elétrica atingir determinada região.
“Existe uma regra de segurança muito importante: se você consegue ouvir o trovão, você já está perto o suficiente da tempestade para estar sob risco de ser atingido por um raio. Portanto, não é necessário esperar a chuva começar ou o fenômeno aparecer diretamente sobre o local”, alerta Scheuer.
Segundo o meteorologista, as tempestades podem se desenvolver de maneira bastante localizada. Por isso, a quantidade de descargas elétricas pode variar significativamente entre municípios próximos.
POR QUE ALGUMAS REGIÕES REGISTRAM MAIS RAIOS?
Os raios estão diretamente relacionados à intensidade das tempestades. Dentro das nuvens, ocorrem movimentos verticais muito fortes, com correntes ascendentes e descendentes, além da presença de água super-resfriada, gelo e granizo.
Essas partículas colidem dentro da nuvem e provocam uma separação de cargas elétricas. Quando a diferença de potencial fica suficientemente grande, ocorre uma descarga, formando o raio.
Por esse motivo, áreas onde as tempestades conseguem se desenvolver de forma mais intensa e vertical tendem a registrar maior concentração de descargas elétricas.
Calor, umidade, instabilidade atmosférica, mecanismos de levantamento do ar e o relevo também podem contribuir para o desenvolvimento de tempestades mais fortes.
Em Santa Catarina, o cenário recente foi marcado por tempestades bastante localizadas.
“Uma tempestade pode produzir muitos raios em determinado município enquanto, a poucos quilômetros dali, a atividade elétrica ser bem menor”, explica Scheuer.
RAIO, RELÂMPAGO E TROVÃO: QUAL A DIFERENÇA?
O raio é a descarga elétrica que ocorre na atmosfera. Já o relâmpago é o clarão produzido por essa descarga.
O trovão é o som provocado pelo intenso e rápido aquecimento do ar ao redor do canal do raio.
Esse aquecimento faz com que o ar se expanda de maneira extremamente rápida, produzindo uma onda de choque que chega até as pessoas como o trovão.
É por isso que o relâmpago é visto antes de o trovão ser ouvido: a luz viaja muito mais rapidamente do que o som.
Segundo Scheuer, praticamente todo raio produz trovão.
RAIO PODE CAIR ANTES DE COMEÇAR A CHOVER?
Sim. Esse é um dos principais alertas feitos pelo meteorologista.
“Também é importante lembrar que raios podem ocorrer antes da chuva chegar e até depois de a precipitação aparentemente ter diminuído”, afirma.
Por isso, a recomendação é procurar abrigo assim que os primeiros trovões forem ouvidos e permanecer protegido até que a tempestade se afaste.
PRAIA É AINDA MAIS PERIGOSA DURANTE TEMPESTADES
Em áreas de praia, o risco exige atenção redobrada. A orientação é deixar imediatamente a faixa de areia e procurar uma edificação fechada ou um veículo com teto metálico.
Não é recomendado buscar proteção debaixo de árvores, em quiosques abertos ou sob guarda-sóis.
O episódio registrado em Palhoça na sexta-feira (28) reforça o alerta. Uma turista morreu após ser atingida por um raio na Praia do Sonho.
Diante de uma tempestade, portanto, não espere a chuva começar e nem aguarde a aparição de um raio.
SE VOCÊ OUVIU O TROVÃO, PROCURE ABRIGO.
A orientação é permanecer protegido até que a tempestade tenha passado e não retornar a áreas abertas enquanto ainda houver atividade elétrica.
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